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Por que as cadeias de suprimentos do varejo precisam de um design estratégico de rede

Para sobreviver e prosperar no volátil cenário atual do varejo e de bens de consumo, as empresas precisam analisar de forma regular e em profundidade o design estratégico de rede.

Essa foi a conclusão a que meus convidados e eu chegamos durante uma sessão especial no painel da edição deste ano do evento “Supply Chain Connect – Consumer goods and retail”, em Düsseldorf. As cadeias de suprimentos enfrentam pressões enormes decorrentes de oscilações na demanda, fluxos fragmentados e restrições sazonais, e o design de rede é fundamental para que as empresas se adaptem.

No entanto, como também aprendemos durante a sessão, implementar um design eficaz não é um simples exercício matemático. Exige alinhamento organizacional profundo, equilíbrio entre ganhos de curto prazo e visão de longo prazo, além de colaboração estratégica entre unidades de negócio e partes interessadas da cadeia de suprimentos.

Navegando pela complexidade da cadeia de suprimentos

As redes de varejo e de bens de consumo (FMCG) são intrinsecamente complexas. Otimizá-las exige respostas a questões críticas sobre fluxo de materiais, estoque, capacidade e, claro, os objetivos parcialmente contraditórios de custos, resiliência, nível de serviço e sustentabilidade.

Durante nossa conversa, Matthias Erdrich, da Lidl, destacou os desafios de gerenciar mais de 320 armazéns principais e 120 instalações de apoio ao redor do mundo. Como Matthias deixou claro, sincronizar diferentes fluxos logísticos não é tarefa simples. Produtos frescos podem ser colhidos pela manhã e entregues às lojas no mesmo dia enquanto itens não alimentares enfrentam longos tempos de trânsito por via marítima.

No ponto de vista da produção, a complexidade pode surgir de restrições sazonais rígidas. Carola Appel compartilhou como a produção de conservas da Carl Kühne é ditada por uma janela de colheita de 12 semanas. Nesse curto período, todo o suprimento anual de matérias-primas precisa ser transportado, processado e armazenado. Isso gera picos massivos de estoque nos períodos de alta demanda, seguidos de espaço ocioso nos armazéns na entressafra.

Design de rede em cadeias de suprimentos do varejo e de bens de consumo: principais características e melhores práticas

Um design de rede eficaz abrange duas dimensões distintas:

  • Footprint: Definição da infraestrutura de longo prazo para os próximos 10 a 15 anos, incluindo a ocupação das instalações e os grandes investimentos de capital
  • Tecnologia: Concepção dos sistemas necessários para operar a rede com eficiência

Historicamente, as organizações compreenderam bem os aspectos de footprint, mas a dimensão tecnológica é frequentemente subestimada. A transição da definição de uma estratégia para a implementação efetiva de uma solução pode levar anos e gerar necessidades de investimento muito elevadas em tecnologia. Por isso, garantir a prontidão técnica é tão fundamental quanto escolher a localização certa de um armazém.

A seguir, listamos três práticas que meus convidados e eu consideramos essenciais para uma estratégia de design de rede capaz de gerar resultados concretos para as cadeias de suprimentos do varejo:

  • Garanta o comprometimento organizacional

    Garanta o comprometimento organizacional

    Um modelo de rede bem calculado não tem valor sem adesão interfuncional. Por exemplo, consolidar o atendimento de canais omnichannel e do varejo físico em uma única instalação de cross-docking pode fazer todo o sentido no papel. Mas executar essa integração exige alinhamento sobre previsões de vendas, crescimento das lojas e distribuição. Obter comprometimento das equipes de compras, vendas e dos gestores locais — além dos C-levels — é essencial. Sem esses acordos, as iniciativas de design de rede ficam presas em ciclos contínuos de recálculo.

  • Conquiste ganhos táticos rápidos

    Conquiste ganhos táticos rápidos

    Embora o design de rede se concentre na arquitetura de longo prazo, garantir economias de curto prazo ajuda a financiar projetos futuros e a construir confiança interna. Em vez de tentar reformular todo o footprint de manufatura e distribuição de uma só vez, as organizações podem começar com otimizações direcionadas. Um exemplo claro é a consolidação do transporte. Ao analisar detalhadamente os fluxos de saída, uma empresa pode conseguir reduzir um portfólio de 70 transportadoras regionais para 7 a 10. Essa abordagem gera reduções de custo imediatas, comprova o valor da análise de rede e consolida a confiança da liderança para fases subsequentes de otimização em maior escala.

  • Faça os dados trabalharem pela sua rede

    Faça os dados trabalharem pela sua rede

    As tecnologias de otimização de rede e de digital twin são altamente dependentes de dados, mas a ausência de integração não deve retardar a ação estratégica. Décadas de experiência no setor mostram que padronizar os dados disponíveis costuma ser mais eficaz do que aguardar uma integração impecável. Uma estrutura padrão de ERP/WMS/TMS que capture 80% dos dados relevantes é, em geral, mais acionável do que um data lake completamente desestruturado que a organização tem dificuldade em interpretar. O objetivo é estabelecer uma linha de base suficientemente boa para iniciar a modelagem, testar premissas críticas e aprimorar a infraestrutura de dados em paralelo com a rede física.

Construindo um futuro resiliente

À medida que as organizações enfrentam interrupções contínuas, construir redes resilientes se torna uma vantagem competitiva primordial. Como vimos, ao assumir o controle do design estratégico de rede, equilibrando ganhos táticos com investimentos de longo prazo e fomentando a colaboração interna, varejistas e fabricantes podem construir cadeias de suprimentos que não apenas respondem às exigências de hoje, mas estão prontas para as de amanhã.

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Autor

Lennart Brueggemann-von Ackern

Sócio
4flow consulting